Perturbador! Palavra que define bem o aclamado filme Cisne Negro e que mostrou ao mundo o talento de Natalie Portman que faz a doce e meiga Nina. Uma bailarina frágil e que vive atormentada pelas projeções de sua mãe. Nina vê pela frente a grande chance de sua carreira. Uma nova montagem de “O Lago dos Cisnes”. Ela tem a doçura e leveza para incorporar o Cisne Branco, mas falta à espontaneidade e sedução para se embriagar pelo cisne negro.
O bem e o mal, a pureza e a maldade, o gracioso e o agressivo. Cisne Negro usa toda a beleza e magia do balé para mergulhar nos mistérios obscuros da mente humana. Dizer que Natalie Portman está perfeita, não é um exagero, mas seria injusto considerar seus méritos isoladamente. Aronofsky brilha na direção e deixa Portman à vontade para construir todas as nuances do personagem e os desdobramentos de um mesmo ser. Junta se uma trilha sonora maravilhosa, figurino de primeira e uma iluminação no ponto certo que dão todo o conforto e estrutura para que Natalie desenvolva seu trabalho de maneira correta e segura.
Um suspense psicológico. Cisne Negro tem uma beleza estética de encher os olhos e no balé a porta de entrada para devaneios da mente humana. A linha tênue entre a busca pela perfeição e a loucura da perfeição. Responsabilidade, ansiedade e estresse levam Nina a experimentar dessa loucura ao ter que dançar Odette, mas também sua arquirrival Odile, o Cisne Negro. O telespectador vive com Nina toda a sua jornada. Nas aulas, nos ensaios e nas dolorosas sessões de fisioterapia que enfrenta. Aronofsky usa essa superação dos limites físicos e barreiras psicológicas de maneira literal. O público consegue acompanhar de maneira bem intensa a desintegração de sua sanidade enquanto ela enfrenta a pressão do diretor vivido por Vincent Cassel.
Cisne Negro permanece na mente de quem o assiste por um bom tempo e ficará sempre na memória do cinema após o seu final épico e enérgico. Uma viagem psicológica e sensorial que a muito não se via no cinema. Gostando ou não do cinema de Darren, é um grande clássico.


