quinta-feira, 26 de março de 2015

Black Swan

 Perturbador! Palavra que define bem o aclamado filme Cisne Negro e que mostrou ao mundo o talento de Natalie Portman que faz a doce e meiga Nina. Uma bailarina frágil e que vive atormentada pelas projeções de sua mãe. Nina vê pela frente a grande chance de sua carreira. Uma nova montagem de “O Lago dos Cisnes”. Ela tem a doçura e leveza para incorporar o Cisne Branco, mas falta à espontaneidade e sedução para se embriagar pelo cisne negro.

    O bem e o mal, a pureza e a maldade, o gracioso e o agressivo. Cisne Negro usa toda a beleza e magia do balé para mergulhar nos mistérios obscuros da mente humana. Dizer que Natalie Portman está perfeita, não é um exagero, mas seria injusto considerar seus méritos isoladamente. Aronofsky brilha na direção e deixa  Portman à vontade para construir todas as nuances do personagem e os desdobramentos de um mesmo ser. Junta se uma trilha sonora maravilhosa, figurino de primeira e uma iluminação no ponto certo que dão todo o conforto e estrutura para que Natalie desenvolva seu trabalho de maneira correta e segura.

    Um suspense psicológico. Cisne Negro tem uma beleza estética de encher os olhos e no balé a porta de entrada para  devaneios da mente humana. A linha tênue entre a busca pela perfeição e a loucura da perfeição. Responsabilidade, ansiedade e estresse levam Nina a experimentar dessa loucura ao ter que dançar Odette, mas também sua arquirrival Odile, o Cisne Negro.  O telespectador vive com Nina toda a sua jornada. Nas aulas, nos ensaios e nas dolorosas sessões de fisioterapia que enfrenta.  Aronofsky usa essa superação dos limites físicos e barreiras psicológicas de maneira literal. O público consegue acompanhar de maneira bem intensa a desintegração de sua sanidade enquanto ela enfrenta a pressão do diretor vivido por Vincent Cassel.

    Cisne Negro permanece na mente de quem o assiste por um bom tempo e ficará sempre na memória do cinema após o seu final épico e enérgico. Uma viagem psicológica e sensorial que a muito não se via no cinema. Gostando ou não do cinema de Darren, é um grande clássico. 

terça-feira, 17 de março de 2015

Maleficent

                                       Primeiro vamos aos agradecimentos:

 Marcos Vinícius que agregou o "Amado" ao seu nome. Pedi pra ele escolher o filme que eu tentaria escrever. Já sabem a quem culpar. Thank you so much mado! 

Felipe Nakamura pela sensibilidade, presteza e carinho de sempre. Com certeza vou abusar muitas e muitas vezes do seu talento aqui no blog. Obrigada. 

Rodolpho Rabelo. Pela companhia e por ser meu parceiro nos filmes e na vida. Obrigada pela opinião e palavras sempre maravilhosas. 

E lá vamos nós.


De antemão confesso, Malévola não me agradou. Mas esperem, eu me justifico. Durante um tempo pensei que o meu descontentamento com o longa teria sido a desconstrução da personagem de vilã para heroína, minha adoração " A senhora de todo o mal" talvez estivesse me cegado perante as qualidades do filme. Hoje percebo, depois de uma certa análise e de reassistir o longa de que o cerne do meu desagrado se encontra em outro ponto: O roteiro. 
O roteiro comete o primeiro erro ao ir pelo caminho que sim é o mais óbvio: Inverter a história já conhecida, assim toda a expectativa cai por terra nos primeiros instantes, onde já podemos vislumbrar o final. Angelina Jolie majestosa e talentosamente encarna a figura vampiresca de Malévola, mas não encontra forças necessárias para carregar o filme em uma história rasa e cheia de furos. A promissora Elle Fanning fica ofuscada, indiferente e passiva para os acontecimentos ao seu redor. As fadas madrinhas tornaram-se figuras patéticas e imbecilizadas que sem maiores motivos se bandearam para o lado do rei Stefan. Sem contar que o filme é acompanhado por uma narrativa explicativa totalmente desnecessária. Todo o esforço da Jolie fica em segundo plano, onde o belíssimo figurino, a fotografia deslumbrante e os efeitos de ponta acabam tomando toda a cena. 
A grande proposta da Disney com Malévola é trazer seus contos consagrados em novas versões moralizantes para o novo público, deste ponto de vista Malévola cumpre bem o seu papel ao levantar que amor tem várias facetas, a sororidade, as mulheres não precisam de um príncipe para serem felizes ou fortes(vide: Frozen, Valente) e que toda a história tem no mínimo dois lados a serem contados. Faltou conciliar tudo isso com uma história convincente.” Felipe Nakamura



“Desde muito pequeno, descobri que tenho uma paixão que é o cinema. Ir ao cinema para minha pessoa é mais do que um programa, é um ato de amor.
E depois de tanto tempo, a Disney lança um grandioso filme, baseado no clássico A bela adormecida, que foi adaptado para Malévola.
Confesso que não vi nenhum trailer do filme, apenas os comentários das pessoas e que seria com a Angelina.
Quando fui ver, fiquei mais que surpreso! Que grande produção.
Que elenco! 
Só que o fato que mais me chamou atenção foi o fato de que a Disney mostrou os dois lados da moeda. Explicou bem detalhadamente  o motivo pelo qual a " Malévola" se tornou uma pessoa má.
E eu acho super importante isso hoje em dia. Principalmente para o público se atentar que tudo na vida, tem um motivo. Nada acontece por acaso. E as pessoas são o que são hoje: Atitudes, pensamentos, comportamento etc ,  devido a alguma consequência. E também o fato de que as pessoas  merecem sim, uma "segunda chance”.
Que as pessoas podem mudar. “Isso fez com que pra mim, Malévola fosse um dos maiores lançamentos de 2014.” Rodolpho Rabelo. 



Dessa vez quis fazer algo diferente. Confrontar duas opiniões sobre o mesmo filme. E li verdades em todos os dois relatos. Malévola veio como o grande carro chefe da Disney em 2014. Divulgação pesada, muita expectativa e... Angelina Jolie. Sim, Angelina voltava à cena com a mais emblemática vilã da Disney. A escolha não poderia ter sido melhor. Uma caracterização magnífica e Jolie parecia ter saído da animação para o “mundo real”.
    Malévola vem integrar um novo momento da Disney, a “moralização” de seus clássicos. Vimos já um pouco disso em Frozen quando a toda poderosa rainha Elsa é salva não pelo o amor do príncipe, mas pelo o da irmã. Esse ponto é positivo e também mais uma jogada de mestre da Disney em ver a tendência mundial de suas princesas de carne e osso. Mulheres cada vez mais independentes, se casando cada vez mais tarde e não necessariamente tão dependentes do amor do príncipe para serem felizes para sempre. Malévola acerta em cheio nesse ponto. A de mostrar que o amor verdadeiro não é somente a busca do par perfeito, mas o amor verdadeiro pode vir de formar, pessoas diferentes.
    Olhando pelo ponto de vista técnico, e que altera o saldo final do filme. É difícil prestar atenção em outra pessoa do elenco a não ser em Angelina. Atriz que atuou e produziu o filme. Angelina está inteira no papel, nos fazendo até esquecer por alguns momentos do seu lado maternal apurado quando chama a princesa Aurora (feita na primeira fase por Vivienne Jolie Pitt) de “praguinha”. Elle Fanning (anotem esse nome) fez o que pode com sua Aurora rasa e ingênua. As 3 Fadas não foram bem aproveitadas e fizeram muito pouco. O Rei Stefan vivido por Sharlto Copley também não consegue sair muito do óbvio, mas faz bem o seu papel de Rei Cruel que engana e corta das asas de Malévola.
    Malévola equilibra questões morais importantes  com roteiro fraco. Atuações sem sal com Angelina Jolie. Foi um sucesso de público, mas esqueceu um pouco do seu propósito principal... Contar uma boa e consistente história.


segunda-feira, 2 de março de 2015

O coração que pulsa dentro do Homem de Ferro.

Robert Downey Jr conquistou popularidade máxima e milhões de dólares na mesma proporção quando em 2008 vestiu pela primeira vez a armadura do Homem de Ferro e seu egocêntrico Tony Stark. O sucesso foi imediato. Os anos se seguiram e Robert viu convites para novos projetos brotarem como água da fonte. Mas o que o público queria mesmo era ver mais Tony Stark e seu fiel escudeiro virtual Jarvis. Vieram então “Homem de Ferro 2” e “Os Vingadores” e para a certeza das voltas que a vida dá, o até então “Patinho Feio” da Marvel foi o carro chefe e o nome maior dos créditos e dos contracheques, of course. Passado o sucesso do grupo dos “Maiores Super Heróis da Terra” , o Home de Ferro volta reformulado e agora com a presença do diretor Shane Black. No novo filme, os dias na companhia dos amigos Vingadores trazem grande impacto na vida de Tony. Passando dias e noites criando novas tecnologias e armaduras, Stark é vítima de fortes crises de ansiedade e uma fragilidade nunca vista no personagem. Sim, Tony Stark está muito fragilizado. Enquanto tudo isso acontece um terrorista conhecido como Mandarim (Ben Kingsley MARAVILHOSO) atormenta os Estados Unidos com terror e ataques por todo o mundo. Ameaças feitas na Tv levam Tony e todo o seu egocentrismo a desafiar o grande vilão dando o endereço da própria casa. Como previsto, a mansão de Malibu é invadida, destruída por bombas, helicópteros em cenas que agradam em cheio os olhos dos “fanáticos por ação” que sempre são a maioria dos filmes de super heróis. A entrada do diretor Shane trouxe uma nova dinâmica para o filme. Desta vez veremos muito mais Tony Stark na tela do que disparando tiros com sua armadura. O personagem foi humanizado, fato esse que deve desagradar em cheio os fãs de ação. Gwyneth Paltrow também ganha mais destaque. Finalmente sua Pepper Potts deixa de ser só a namoradinha do herói e ganha importância real no desenvolvimento da história. Vemos na tela uma trama bem mais amarrada dos dois filmes anteriores que eram mais tecnológicos. Isso fica claro quando a trama toma também um rumo político. Madarim chega pra colocar o dedo na ferida dos Estados Unidos, apontando a raiz do ódio que levou aos atentados de 11 de Setembro. Tudo é claro dentro do limite Marvel de ser. Tudo é abordado de forma leve e tranquila. Tony está mais humano , isso é verdade, mas continua engraçado e sarcástico como sempre. As cenas de ação, tanto em terra como no ar continuam fantásticas a aprovadas pelo padrão Marvel de qualidade. A magia da computação gráfica mais uma vez enche os olhos e abre sorrisos nos fãs. Com direito a uma nova tecnologia Tony e Jarvis criam um exército de Homens de Ferro e fazem ótimo uso desse arsenal. Por fim, Tony chega aos destroços da mansão de Malibu, recolhendo ferramentas e as carcaças de seus fieis amigos que foram destruídos no ataque do começo. Solta a frase “Sou um homem mudado” segurando uma humilde chave de fenda que mostra o recomeço. A bordo de um dos seus muitos carros de luxo, Stark solta a famosa frase “I’m Iron Man”, deixando bem claro que ele pode estar mais humano, mais político e mudado, mas e sempre será o milionário, filantrópico e egocêntrico Tony Stark que tanto amamos.

domingo, 1 de março de 2015

This is the beginning

    Dizem que as mulheres falam aproximadamente 20 mil palavras por dia, acredito que eu me enquadre nessa e sempre usei isso como uma proteção que esconde uma pessoa tímida e extremamente reservada. Desde muito cedo,  minha válvula de escape sempre foi escrever. Sempre me escondia no topo das árvores com cadernos, lápis ou canetas. Ali eu desabafava meus medos, meus sonhos e segredos. 
    Já tive momentos em que escrevi muito, outros que quase nada. No último ano não escrevi tanto e publiquei menos ainda. Os textos do ano passado ficaram resumidos a aniversário de amigos e uma coisa aqui, outra ali. Nesse ano, eu decidi voltar a esse hábito que eu tanto gosto. Voltar a dar importância a essa válvula de escape tão importante na minha vida. 
    Que eu sou apaixonada por cinema, muita gente sabe. Basta olhar nas gavetas do armário a coleção sempre em formação de dvds. O que poucos sabem é que sou metida a escrever, não chego a audácia de dizer que são "críticas de cinema", textos sobre os filmes que assisto. Conversando com minha amiga Michelle essa semana, fui incentivada por ela (Já sabem a quem culpar) a publicar esses textos sobre cinema. Como não quero misturar com meus textos pessoais resolvi fazer um novo blog, direcionado a esses textos e curiosidades sobre cinema. Antes de postar o primeiro, segue uma breve apresentação dessa que vos fala.


    Meu nome é Itana Glésia da Silva. Itana é de origem tupi guarani, de acordo com minha mãe significa "Pedra Coração". O Glésia vem da paixão dela pelo cantor Julio Iglesias. Música e arte sempre foram presentes na minha vida. Desde o nascimento e sei que vai me acompanhar até o fim.
    Ouvia da minha avó a frase: Que menina mais geniosa! E de fato sou mesmo. Sempre fui muito determinada e decidida e focada em relação ao que eu queria. Extremamente emocional. Teimosa, cabeça dura e irritada. Não sei gostar ou odiar de nada ou ninguém pela metade. E aqueles que eu gosto, luto por eles até o fim, me sacrificando se for preciso. Absorvo os problemas do mundo, fato que as vezes eu confesso que me pesa demais, mas eu gosto de aliviar a dor das pessoas que eu amo, me faz bem e isso faz com que não pese tanto. 
    Sempre fui chamada pela galera "A Itana é na dela" e sempre fui mesmo. Repeti de ano na sétima série por problemas de relacionamento. Entrava muda e saía calada da escola. Terminei o ensino médio e pelo meu comodismo e várias situações, ainda não fiz faculdade. Fato esse que pretendo mudar a curto prazo. 
    O amor por filmes e seriados sempre foi e é imenso e com o passar do tempo eu percebi que sempre me atentava a detalhes que normalmente passam despercebidos aos olhos da grande maioria. Descobri então o curso que quero fazer: Cinema. Ainda não entrei na faculdade, mas leio muito sobre cinema, sobre filmes e nessas de ler muito comecei a escrever esses textos.
    Michelle Campos além de minha amiga é editora. E muito competente por sinal. Resolvi mostrar um desses textos a ela e pra minha surpresa ela disse: Ficou muito bom! E como sei que além de minha amiga ela é extremante profissional comecei a acreditar. Essa será a função desse blog. Dividir com vocês minhas impressões sobre os filmes, seriados e o que for ligado a arte. Prometo ser mais frequente esse ano!

Vamos lá! Obrigada a todos.

"Cada filme deve ter o seu próprio mundo, uma lógica e sentir que se expande para além da imagem exata que o público está assistindo" 
Christopher Nolan